Há exatos 30 anos silenciavam a voz e o instrumento do
artista que ganhou o apelido de Rei do Ritmo. Nascido em Alagoa Grande,
na Paraíba, Jackson do Pandeiro trocou Campina Grande e João Pessoa pelo
Recife, para crescer na carreira artística. No início dos anos 1950,
veio a estreia numa rádio pernambucana e o que seria seu primeiro
sucesso, o coco Sebastiana (aquele do "A, E, I, O U, Ypisilone"),
composto por Rosil Cavalcanti, com quem Jackson montou uma dupla.

Jackson do Pandeiro é considerado não só o artista de recursos
vocais sofisticados, de jeito alegre e malandro, mas o maior ritmista do
país. Junto com o pernambucano Luiz Gonzaga, cantou a realidade do povo
pobre do Nordeste e foi, nas décadas de 50 e 60 do século passado, um
ídolo nacional.
Jackson do Pandeiro fez escola, influenciando
artistas e movimentos. Entre os seus inúmeros devotos figuram artistas
de épocas e estéticas as mais diversas, como Gilberto Gil e Alceu
Valença, João Bosco e Zé Ramalho, Chico Buarque e Lenine, Raul Seixas e
Gabriel, o pensador.
No princípio, queria ser sanfoneiro. Mas a
sanfona era um instrumento caro, e sendo o pandeiro mais barato, foi
esse que recebeu de presente da mãe, Flora Mourão, cantadora de coco, a
quem desde cedo o menino ouvia cantar coco, tocando zabumba e ganzá.
Aos
13 anos, com a morte do pai, foi com a mãe e os irmãos morar em Campina
Grande, onde começou a trabalhar como entregador de pão, engraxate e
fazendo pequenos serviços. Na feira de Campina, assistia aos emboladores
de coco e cantadores de viola. Ia muito ao cinema e tomou gosto pelos
filmes de faroeste, admirando muito o ator Jack Perry. Nas brincadeiras
de mocinho e bandido com os outros garotos, José transformava-se em
Jack, nome pelo qual passou a ser conhecido.
Aos dezessete anos,
largou o trabalho na padaria para ser baterista no Clube Ipiranga. Em
1939, já formava dupla com José Lacerda, irmão mais velho de Genival
Lacerda. Era Jack do Pandeiro.
No o início da década de 40,
Jackson foi morar em João Pessoa, onde continuou a tocar nos cabarés, e
logo depois na Rádio Tabajara, onde ficou até 1946.
Em 1948 foi
para o Recife trabalhar na Rádio Jornal do Comércio Foi aí que o diretor
do programa sugeriu que ele trocasse o Jack por Jackson, que era mais
sonoro e causava mais efeito quando anunciado ao microfone.
Somente
em 1953, já com trinta e cinco anos, foi que Jackson gravou o seu
primeiro grande sucesso: Sebastiana, de Rosil Cavalcanti. Logo depois,
emplacou outro grande hit: Forró em Limoeiro, rojão composto por Edgar
Ferreira.
Foi na rádio pernambucana que ele conheceu Almira
Castilho de Alburquerque, com quem se casou em 1956 vivendo com ela até
1967. Fizeram uma dupla de sucesso, ele cantando e ela dançando ao seu
lado, tendo participado de dezenas de filmes nacionais. A paixão por
Almira era tão grande que Jackson chegou a colocar várias músicas no
nome dela. Depois de doze anos de convivência, Jackson e Almira se
separaram e ele casou com a baiana Neuza Flores dos Anjos, de quem
também se separou pouco antes de falecer.
No Rio, já trabalhando
na Rádio Nacional, Jackson alcançou grande sucesso com O Canto da Ema,
Chiclete com Banana, Um a Um e Xote de Copacabana. Os críticos ficavam
abismados com a facilidade de Jackson em cantar os mais diversos gêneros
musicais.
Músicos que o acompanharam, como Dominguinhos e
Severo, dizem que ele era um grande “sanfoneiro de boca”, o que
significa que apesar de não saber tocar o instrumento ele fazia com a
boca tudo aquilo que queria que o sanfoneiro executasse no instrumento. O
fato de ter tocado tanto tempo nos cabarés aprimorou sua capacidade
jazzística.
No palco, tinha uma ginga toda especial, uma mistura
de malandro carioca com nordestino. Ficou famoso pelas umbigadas que
trocava com a parceira e esposa Almira.
Cantor e compositor de
forró e samba, e de gêneros musicais relacionados, Jackson compôs
baiões, xotes, xaxados, cocos, quadrilhas, marchas, frevos. Ele faleceu
no dia 10 de julho de 1982, aos 62 anos, em Brasília, durante excursão
que fazia pelo Brasil. Teve embolia pulmonar e cerebral. Jackson era
diabético desde os anos 1960.
Fonte:http://www.paraiba.com.br
Para saborearmos sua música, segue vídeo...
Livro - Jackson do Pandeiro: O rei do rítimo de Fernando Moura e Antônio Vicente.